Quercus contra eventual exploração mineira na Serra da Argemela

A associação ambientalista Quercus está contra a eventual exploração mineira na Serra da Argemela, que abrangeria freguesias dos concelhos da Covilhã e Fundão, no distrito de Castelo Branco.

"A Quercus irá colaborar com o movimento de contestação à exploração mineira na Serra de Argemela e usará todos os seus meios para travar este projeto, que coloca em causa o desenvolvimento sustentado desta região, o ambiente e a saúde das populações", refere a direção do Núcleo Regional de Castelo Branco da Quercus, em comunicado enviado hoje à agência Lusa.

Na nota, a associação alerta para os perigos ambientais e de saúde pública da referida concessão, que englobaria uma área de 403 hectares e cujo projeto prevê a exploração e tratamento de depósitos de minerais a céu aberto de lítio, tântalo, nióbio, volfrâmio, rubídio, cobre, chumbo, zinco, ouro, prata, césio, escândio e pirites.

"Esta eventual exploração situa-se a poucas centenas de metros da margem do rio Zêzere e de várias povoações e, caso avançasse, teria um impacto muito significativo no ambiente e na qualidade de vida das populações envolventes, existindo um risco muito elevado de contaminação das águas do rio Zêzere, dos solos, da paisagem e do ar".

Segundo os ambientalistas, "este impacto seria cumulativo com outras fontes de poluição já existentes na zona, como o complexo de Minas da Pampilhosa da Serra que tem um passivo ambiental de várias décadas e que continua por resolver".

Os efeitos no rio Zêzere, que abastece milhões de cidadãos com água para consumo, bem como no ecossistema da Serra da Argemela, no ecossistema ribeirinho e nas populações que vivem na envolvente da área são aspetos igualmente salientados pela Quercus.

"Dado o método de exploração previsto (a céu aberto) e o regime de ventos nesta zona de montanha, a dispersão de poeiras decorrentes da exploração dos minérios poderá chegar a dezenas de quilómetros de distância do local e poderá afetar não só a qualidade do ar, mas também a agricultura da zona (Cova da Beira), a saúde das populações e o turismo", acrescenta a nota de imprensa.

A associação ambientalista lembra ainda que "na evolvente da eventual exploração existe um castro e mais de 800 residentes das aldeias do Barco e Coutada" e que "as populações, autarcas e vários empresários do setor do turismo e agricultura estão contra este projeto, pois têm sido investidos na zona vários milhões de euros (em investimentos privados e fundos comunitários), que são postos em causa com este projeto"

Motivos que levaram a Quercus a aderir à plataforma de defesa da Serra da Argemela, que foi criada depois de, em fevereiro, ter sido publicado em Diário da República o pedido de concessão desta exploração mineira.

Em abril, numa resposta a questões apresentadas pelos deputados socialistas eleitos pelo círculo de Castelo Branco, o Governo garantiu que ouvirá "populações e as autarquias abrangidas antes de tomar qualquer decisão".

"Qualquer evolução do processo, depois de ouvidas as autarquias, obrigará à existência de estudo de impacto ambiental onde todas as questões devem ser avaliadas e propostas as medidas de minimização e compensação de eventuais impactes negativos", referia a resposta do gabinete do ministro da Economia.

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